Esta entrevista pertence à Popeye Magazine, publicada em 17 de Junho de 2026 e realizado por Miu Nakamura, sendo assim com todos os devidos créditos dados aqui.
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Fomos conhecer o Balming Tiger, a aclamada banda de K-POP alternativo!
Balming Tiger é um grupo alternativo de K-POP composto por 11 integrantes que tem expandido cada vez mais o seu raio de ação, marcando presença em grandes festivais europeus como o Glastonbury e o Primavera Sound, além de ter lançado uma colaboração com RM, do BTS. Féis ao rótulo "alternativo", o grupo reúne uma variedade de talentos que vai além dos palcos — incluindo rappers, cantores-compositores, realizadores de vídeo e designers. Esta postura desafiadora de assumir de forma independente todas as etapas, desde a composição musical até à produção e realização dos videoclipes, define a identidade deste coletivo em ascensão.
Em maio deste ano, lançaram Gongbu, o seu segundo álbum de estúdio após um hiato de três anos. Sob este título, que significa "estudo" ou "aprendizagem", o álbum constrói um universo conceptual ambientado numa instituição de investigação fictícia chamada "Gongbu Korea", conectando música, videoclipes e atuações ao vivo. O projeto destaca-se pela sua criatividade única, cruzando a estética da Ásia Oriental com múltiplos géneros musicais. Entre as faixas estão "Keep On" (#10), que apresenta um videoclipe instigante sobre a transição entre o subconsciente humano e os sonhos; "Home" (#9), que incorpora elementos visuais da cerimónia tradicional de noivado coreana; e "Gojingamrae" (#8), cuja sonoridade remete para a música popular coreana das décadas de 1980 e 1990, fortemente influenciada pela música ocidental.
O desejo da família da noiva de que o Hamjinabi (函進使: o mensageiro do noivo que, antes do casamento, entrega na casa da noiva uma caixa chamada "Ham" com presentes e a carta matrimonial) consiga finalmente entrar na casa, contrasta com a resistência máxima do próprio mensageiro em entrar. Este confronto e este jogo de bastidores hostil são transformados, dentro do espaço de um sonho, num jogo governado por regras absurdas e bizarras, desenrolando-se como uma peça de comédia ácida.
Enquanto pensávamos em como gostaríamos de aprofundar ainda mais o fascínio que exercem, surgiu a oportunidade de os entrevistar durante a sua estadia no Japão. Assim, conversámos com quatro dos integrantes — o rapper Omega Sapien, a cantora Sogumm (que também brilha a solo com as suas vozes únicas), Mudd the Student (um canto-compositor que domina com facilidade o hip-hop, o rock e a eletrónica) e o produtor bj wnjn (uma das figuras centrais do grupo). Perguntámos-lhes tudo o que queríamos saber: desde as músicas que têm ouvido recentemente e as atuações na Europa até aos bastidores da criação do novo álbum!
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| De cima para baixo: Mudd the Student (produtor / cantor-compositor), bj wnjn (produtor / vocalista), Omega Sapien (rapper) e Sogumm (vocalista). |
"Estamos sempre descobrindo e pesquisando coisas sobre o Japão!"
— Olá! É um prazer conhecer-los. Soube que chegaram ontem ao Japão. Há algum lugar onde já tenham ido passear ou que queiram muito visitar?
Omega Sapien (daqui em diante, Omega): Ontem à noite, assim que chegámos, fomos logo ao Torikizoku em Shin-Okubo. Afinal de contas, as estrelas de K-POP têm que passar por Shin-Okubo (risos). Além disso, vou sempre a uma sauna sempre que venho ao Japão, por isso desta vez também não podia falhar. As saunas japonesas são muito mais quentes do que as da Coreia, e o banho de água fria é incrivelmente gelado. Adoro essa sensação de ser levado ao limite pelo choque térmico.
Mudd the Student (daqui em diante, Mudd): Desta vez ainda não consegui ir, mas sempre que venho ao Japão, vou ver instrumentos musicais, como sintetizadores. Há coisas que só se vendem aqui. A loja Five G em Harajuku é super interessante porque tem de tudo, desde peças vintage raras até artigos muito invulgares.
Sogumm: Falando de instrumentos, também recomendo muito uma loja chamada organ69 em Fukuoka, que é especializada em órgãos das décadas de 1960 e 1970! Têm imensos modelos vintage com um visual retro, desde alguns que parecem pequenos pianos até outros em estilo escaleta (melódica). Fico sempre super entusiasmada sempre que lá vou.
— Vocês pesquisam bastante sobre as lojas, hein! E música japonesa, vocês costumam ouvir?
Mudd: Sim, ouvimos. Recentemente, fiquei completamente viciado no Melt-Banana, uma dupla de noise rock que fez muito sucesso nos anos 90. Fico encantado com a técnica incrível de guitarra deles, e a vocalista usa um controle para mudar e manipular o tom da voz de um jeito totalmente imprevisível enquanto canta. Esse som psicodélico me hipnotiza. É bom demais.
bj wnjn: Ultimamente, tenho me interessado bastante por músicas de animes japoneses antigos. Nosso álbum novo tem muitas referências da sonoridade dos anos 70. Acho que a trilha sonora de Galaxy Express 999 (Ginga Tetsudo 999) chega bem perto do clima que queríamos passar.
Omega: No TikTok, a gente também esbarra muito com músicas japonesas. Ultimamente, uma que sempre aparece é "Kawaii Dake ja Dame desu ka?". O grupo CUTIE STREET fez um show na Coreia esses dias e a versão em coreano que elas cantaram bombou demais por aqui. Eu ouvia direto. É uma música muito viciante, chiclete mesmo.
— Entendi. Na visão de vocês, como a cultura do "kawaii" japonês é recebida na Coreia?
Sogumm: A cultura do kawaii japonês tem um efeito reconfortante, sabe? Só de olhar, você já sorri naturalmente. Eu mesma amo a Hello Kitty (risos). É incrível como o conceito de fofura é aceito por todos, independentemente de gênero ou idade, até pelos mais velhos. Acho que para o grande público coreano, essa "leveza" é vista de uma forma muito nova e revigorante.
Omega: No Japão, o "apenas fofo" também tem o seu valor. Por exemplo, mesmo quando uma música de K-POP é fofa, ela geralmente vem misturada com outros elementos para dar equilíbrio, como uma vibe mais descolada ou misteriosa. Mas o "kawaii" tipicamente japonês traz uma fofura direta, sem rodeios, pura e simples, e isso é aceito pelo país inteiro. Isso me faz pensar que, na verdade, "não tem problema nenhum em ser apenas fofo".
— Omega, soube que você chegou a fazer intercâmbio no Japão durante a época de estudante. O que te influenciou nesse período?
Omega: Eu vim para o Japão com cerca de 20 anos, mas quando estava me formando no ensino médio na Coreia, eu já tinha a certeza absoluta de que "seria uma grande estrela". Só que, quando caí na realidade, vi que não era bem assim. Foi um baque ver a diferença entre o que eu idealizava e o mundo real. Eu vivia desesperado e ansioso, sentindo que precisava conquistar algo antes de terminar a faculdade. Quando cheguei ao Japão com esse sentimento na cabeça, eu não conhecia literalmente ninguém. Então, comecei a organizar festas, mandava mensagens para um monte de gente pelo Facebook e implorava para me deixarem fazer shows, mesmo sem receber nada. Eu estava obcecado em fazer as pessoas saberem que eu existia. Acho que foi nessa época que comecei a pintar meu cabelo de verde também. Esse período de intercâmbio no Japão acabou sendo a grande virada de chave para o início da minha carreira.
— E que tipo de música você ouvia na época? Foi por esse período que você começou a fazer parte do Balming Tiger, não é?
Omega: Como eu tinha morado nos Estados Unidos antes de viver no Japão, eu ouvia um círculo bem fechado de gêneros, principalmente hip-hop. Na verdade, eu quase nunca escutava música coreana naquela época. Quando uma música do Balming Tiger apareceu por acaso no meu YouTube, fiquei chocado. A produção do som e a estética visual dos clipes eram muito novas. Foi o ponto de virada que mudou totalmente a minha percepção sobre a música feita na Coreia. Entrei em contato com eles para ver se rolava uma participação ou colaboração e, por sorte, hoje estamos aqui fazendo música juntos.
A "diferença" é o que torna tudo difícil e interessante.
— Ultimamente, vocês têm se apresentado não só na Ásia, mas também na Europa, expandindo cada vez mais o raio de ação do grupo. Vocês sentem alguma mudança em comparação ao início?
Madd: Sinto que o nosso reconhecimento aumentou bastante. No começo, a gente não era tão conhecido, então quando nos apresentávamos em festivais ou eventos, tinha muita gente que olhava por pura curiosidade, pensando "quem são esses caras?", ou com uma cara meio confusa. Fazer essas pessoas conhecerem o nosso trabalho era como avançar nas missões de um videogame; dava uma sensação de diversão e conquista a cada etapa concluída.
Sogumm: Acho que a nossa base de fãs em cada região ficou mais sólida. Claro que ainda tem muita gente que nos vê pela primeira vez, então hoje conseguimos unir o melhor dos dois mundos: o frio na barriga de conquistar novos ouvintes e expandir o nosso universo, e a alegria de estarmos mais conectados com os fãs antigos do que nunca. Sinto que essa combinação virou o nosso novo grande combustível.
— Quando mudamos de lugar, o público que frequenta as festas também muda, né? O que mais marcou vocês nessas viagens pelo mundo?
Sogumm: Pode soar um pouco poético, mas eu realmente percebi o quanto o mundo é gigante. Cada país e cada equipe têm suas próprias características, e experiências totalmente inesperadas nos aguardam em cada parada. Todos os shows são muito divertidos. Para você ter uma ideia, já nos apresentamos em festivais que aconteceram em um castelo abandonado e, em um festival em Mannheim, na Alemanha, o palco foi montado em uma fazenda.
Omega: Nessa vez na Alemanha, o nosso camarim era um estábulo de cavalos, então marcou bastante (risos). Até a gente que estava se apresentando ficou se perguntando: "o que a gente está fazendo aqui?". Nós já participamos de vários festivais dentro e fora da Coreia, mas toda vez que mudamos de lugar, o coração bate mais forte ao ver novas formas de ser criativo. A maneira de se divertir, de absorver a arte, de aprender. Assim como não existem duas pessoas iguais no mundo, também não existem duas formas iguais de criar. Descobrir essas diferenças e a beleza de cada uma delas me dá uma verdadeira esperança no potencial da humanidade.



— Também gostaria de saber mais sobre o álbum novo. O título é Gongbu, que carrega significados como "reflexão", "exploração" e "estudo". Na hora de produzir, existiu alguma forma de pensar ou método que vocês colocaram em prática?
bj wnjn: Para este projeto, nós organizamos o que chamamos de "workshop": um espaço para todo mundo sentar e discutir que tipo de música queríamos criar para o álbum. Ouvindo assim, pode não parecer nada de especial, mas, até então, nossa comunicação era puramente musical. E como já somos amigos de longa data, eu achava que não havia mais nada que não soubéssemos uns sobre os outros. Por isso, fiquei surpreso ao ver quantas descobertas fizemos sobre nós mesmos dessa vez. Os gostos pessoais e o que cada um queria fazer eram muito mais diferentes do que eu imaginava. Ver a direção do álbum ganhar forma aos poucos através dessas descobertas foi uma experiência fascinante.
Mudd: Por exemplo, se pegarmos uma palavra simples como "onírico", a interpretação muda completamente dependendo do aspecto ou do significado que cada pessoa foca. Por isso, ao acumular conversas para construir um trabalho grandioso como um álbum, é inevitável que surjam pequenos descompassos. Desta vez, o tempo que tínhamos disponível para a produção musical era curtíssimo, o que tornou o cronograma muito arriscado, mas sinto que, após esse workshop, nossa compreensão mútua se aprofundou e o trabalho de cada um fluiu de forma bem mais natural.
— Conversar e entender uns aos outros. Esse é, de fato, um verdadeiro processo de "estudo" (aprendizado). O retorno é grande, mas o processo de criação também deve ter trazido muitas frustrações. O que vocês sentem que mudou mais especificamente?
Mudd: Quando vamos compor, o primeiro passo sempre é todo mundo trazer músicas de referência, mas como cada um tem um gosto muito diferente, reunimos os mais diversos gêneros. Antes, ao colocar músicas de estilos tão distintos sob o mesmo teto, o som ganhava um ar meio descompassado, onde as faixas não se fundiam por completo, o que funcionava como um sotaque musical bem interessante. Mas, neste álbum, nós queríamos ir mais fundo como banda. O impacto de todo mundo olhando para a mesma direção e o nível de precisão do trabalho eram desafios necessários para superar o que vínhamos fazendo. O resultado é que, ao olhar para os nossos álbuns anteriores, sinto que eram coleções de faixas muito boas, uma a uma; já este novo projeto ganhou tanta unidade que a impressão final é de que "o álbum como um todo é excelente".
Sogumm: Focar mais na estrutura geral do trabalho e não deixar as diferenças passarem batidas sem serem digeridas exigiu ajustes finos e minuciosos para unir tudo em uma única forma. Isso impactou fortemente até a escrita das letras. Cada integrante tem habilidades e encantos únicos, mas conseguir incorporar essas partes "diferentes" e, ainda assim, transmitir uma mensagem consistente foi um passo essencial para alcançarmos um novo patamar de expressão.
— Deixar as diferenças como estão também tem o seu valor, mas indivíduos tão diferentes se esforçarem para se tornarem um só exige persistência. Esse processo costuma ser frustrante e consome muita energia na hora de criar, não é? Parece que essa experiência vai se refletir bastante nas próximas produções de vocês.
bj wnjn: Assim como o mundo tem o seu charme justamente por ser feito de "diferenças", cada um de nós também é completamente diferente. Ser "diferente" é a nossa força. Por isso mesmo, unir tudo isso dentro de uma única estrutura não é nada fácil e sempre foi o grande desafio da nossa banda. Conseguir dar forma a isso neste projeto tem um significado gigantesco para nós. Acredito que, a partir deste álbum, o Balming Tiger entra em um novo capítulo, focado em como continuar fundindo os nossos lados distintos. Se continuarmos com esse "estudo", com certeza conseguiremos criar músicas ainda melhores no futuro.
Foto: Daikichi Kawazumi
Texto: Miu Nakamura
Edição: Ryoma Uchida
Texto: Miu Nakamura
Edição: Ryoma Uchida












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