Pink Transparent Valentine Balloon Heart Help Paradise: Balming Tiger: um coletivo musical que está arrastando a Coreia, a Ásia e o mundo inteiro junto, a nova cara da Ásia

Pesquisar este blog

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Balming Tiger: um coletivo musical que está arrastando a Coreia, a Ásia e o mundo inteiro junto, a nova cara da Ásia

  Esta entrevista é de propriedade de GQ Japan, feita 6 de Fevereiro de 2026 por Kei Harada, nós apenas traduzimos, sendo assim com todos os créditos dados aqui.

~~~~~~~~~~~

Com shows no Glastonbury Festival e presença marcante nos principais festivais do mundo, o coletivo musical sul-coreano Balming Tiger vem chamando atenção global. Partindo das suas raízes asiáticas, como é que eles conseguem criar uma expressão que mexe com o mundo todo? Foi sobre esse momento atual do processo criativo deles que rolou a conversa.



Confiança e convicção que vieram da Europa

Em 28 de novembro de 2025, o Balming Tiger encerrou com sucesso o show solo “WORLD EXPO ’25 Tour”, realizado no Spotify O-EAST, em Shibuya. No mesmo ano, eles também se apresentaram no Fuji Rock Festival e, mesmo com uma chuva pesada no meio do show, deram a volta por cima com uma performance absurda que puxou o público junto. No fim, virou um palco lendário, cheio de gente coberta de lama e com mosh rolando sem parar.

A popularidade do Balming Tiger no Japão vem crescendo de forma constante, mas hoje o alcance deles já passou da Coreia do Sul e se expandiu globalmente, chegando à Europa e aos Estados Unidos. Omega Sapien (Omega), que lidera o grupo com uma energia insana, relembrou 2025 (um ano de grande virada) e contou que a experiência da turnê pelo Ocidente foi essencial pra dar mais confiança na hora de levar a música e a identidade deles pro mundo.

“Fazer turnê em lugares como a Europa, onde cada região tem sua própria cultura e uma história longa, fez a gente repensar nossa própria identidade e de onde a gente vem. E também deu pra entender como aquilo que a gente faz, explorando nossas raízes asiáticas e coreanas, soa único e especial pros públicos do Ocidente. É uma sensação totalmente diferente de quando a gente está em turnê pela Ásia. Foi uma experiência muito importante pra gente acreditar de verdade que ‘o que a gente está fazendo não tá errado’.” (Omega)


Da esquerda pra direita: bj wnjn  — vocalista com uma voz única e uma identidade bem própria. Também atua como produtor e é uma peça central no som do grupo. / sogumm — vocalista com um timbre delicado e totalmente único. Também segue carreira solo e encanta quem ouve com uma vibe mais etérea, quase hipnótica. / Omega Sapien — frontman e rapper que exala energia no palco. Se destaca pelo estilo criativo e pela facilidade com idiomas, rodando o mundo sem dificuldade. / Lee Suho — cineasta e produtor musical. É quem ajuda a construir a identidade do coletivo com visuais mais experimentais e um som fora do padrão. / Mudd the student — cantor e compositor com um estilo versátil, misturando rock e hip-hop de um jeito bem livre.


Em 2024, eles também se apresentaram em alguns dos maiores festivais ao ar livre do mundo, como o Glastonbury Festival e o Primavera Sound. Por trás desse avanço nos palcos globais, está a postura deles de não abrir mão da própria visão, sempre buscando uma expressão artística sem concessões.

“Quando a gente se apresenta em festivais de música no Ocidente, muitas vezes somos os únicos artistas asiáticos no lineup. Mas isso não faz a gente tentar agradar o gosto do público nem copiar outros artistas. Pelo contrário: a gente sobe no palco com as mesmas roupas e coreografias que usa na Coreia, sem firula nenhuma, mostrando nossa identidade do jeito que ela é. E, no fim das contas, são justamente essas performances mais fiéis ao que a gente é de verdade que recebem a melhor reação do público.” (Omega)


O Balming Tiger vem ganhando cada vez mais espaço no mundo, mas como será que eles “traduzem” suas raízes e identidade pra um público global? Uma pista vem de uma frase do diretor Bong Joon-ho: “quanto mais local algo é, mais global ele pode se tornar”.

“Eu não acho que ser ‘global’ signifique sair incorporando o que tá bombando no Ocidente ou o que chamam de tendência. Como eu já falei, acredito que ir até o fundo naquilo que é único da gente é justamente o que torna a expressão global. Pra isso, é importante conseguir enxergar como especiais aqueles pequenos momentos do dia a dia que são tão comuns que a gente nem percebe. Encontrar um significado próprio nessas coisas faz toda a diferença. Por exemplo, no MV de SEXY NUKIM, a gente colocou de propósito cenas bem banais, tipo um senhor andando de bicicleta pela cidade ou imagens de sauna, coisas que normalmente passariam batido na rotina.” (Omega)

bj wnjn, que também chamou atenção com o projeto de cover de “Tropical Night” do Haruomi Hosono, contou que a experiência de turnê no exterior mudou bastante a forma como ele enxerga a própria arte.

“Depois da turnê, comecei a querer aprofundar ainda mais uma expressão realmente original. Ultimamente tenho revisitado bastante músicas antigas da Ásia, tentando entender como posso trazer essa essência pra minha produção. Mas uma coisa que eu tomo cuidado é: não adianta só copiar tradição ou história, nem se apoiar no rótulo de ‘identidade asiática’ por si só, isso não garante nada bom. O importante é pegar essas referências do passado, reinterpretar do nosso jeito e reconstruir tudo como algo novo, transformando em uma expressão original. Agora, tô meio que nesse processo de encontrar um equilíbrio entre vários elementos.” (bj wnjn)


Ásia é o que há de mais cool

O Balming Tiger já fez várias colaborações com artistas de dentro e fora do país, mas quando perguntaram qual projeto mais marcou, o primeiro nome que veio na hora foi o do Atarashii Gakko! (“Atarashii Gakko no Leaders”).


“Eu senti que a forma de expressão delas e a nossa têm muita coisa em comum. Principalmente essa atitude de não esconder que somos artistas asiáticos, pelo contrário, a gente coloca na frente justamente esse charme mais cru e até meio ‘afiado’ que é bem próprio da Ásia, tentando causar impacto no público de fora. Nesse sentido, a gente se parece bastante com o Atarashii Gakko!.

Ao mesmo tempo, elas também têm um lado muito gentil e humilde, e mesmo depois de ficarem famosas, continuam se esforçando pra caramba. Eu lembro até hoje da primeira vez que visitei a agência delas. Enquanto a gente mostrava os trabalhos uns pros outros, quando apareceu no telão a performance delas, deu pra sacar na hora o nível, tipo, o quanto elas são estrelas de verdade. Mesmo assim, elas são extremamente educadas, mantêm o sorriso em qualquer situação e seguem firmes, super sinceras no jeito delas. Isso me tocou muito e, ao mesmo tempo, me fez refletir sobre mim mesmo, cheguei até a ficar meio envergonhado (risos).” (Omega)

Mas afinal, o que exatamente seria esse “charme asiático” que tanto o Balming Tiger quanto o Atarashii Gakko! buscam? Depois de pensar um pouco, sogumm respondeu assim:

“É difícil colocar em palavras ou apontar algo em comum de forma clara… mas, sendo bem sincera, eu tenho convicção de que a Ásia é o que há de mais cool agora. E acho que muita gente pelo mundo já percebeu isso também. Por isso, dá uma confiança maior pra gente seguir explorando esse charme sem medo.” (sogumm)


O charme da beleza contida

Sobre o aumento recente da atenção à música e à cultura asiática, Omega Sapien comentou que “a cultura é cíclica, sempre se reinventa e é redescoberta de novas formas — então esse foco atual na Ásia talvez seja só parte desse ciclo”. Já sogumm respondeu trazendo outra visão: “numa sociedade moderna intoxicada por essa economia de atenção infinita das redes sociais, talvez seja justamente a ‘beleza contida’ da Ásia que esteja ganhando destaque”.

“Hoje em dia, a gente vive quase como viciado em dopamina, sempre exposto a estímulos muito fortes. Claro, a Ásia também tem conteúdos super impactantes como o K-pop, mas tradicionalmente existe uma valorização da beleza mais contida, mais sutil. E talvez, justamente por estarmos cercados de tanto estímulo, esse tipo de beleza mais discreta e humilde esteja sendo cada vez mais buscada.” (sogumm)

Ela explica isso usando como exemplo a estética presente nas cerâmicas e na música de corte do Leste Asiático:

“No Japão, na Coreia e na China, as cerâmicas têm uma força silenciosa — algo discreto, mas firme — junto com uma sabedoria e humildade que foram construídas ao longo de muito tempo. A música tradicional de corte também é assim. O jeito como o som flui e como o silêncio é usado é bem diferente desses sons mais intensos, cheios de ‘dopamina’, que a gente ouve hoje — chega até a lembrar música ambiente. Essa estética tradicional asiática aparece de forma natural na moda e na música atual também. Acho que essa humildade típica da Ásia acaba funcionando como algo estiloso, algo cool.” (sogumm)

Nos shows do Balming Tiger, essa ideia fica bem clara: momentos mais delicados e silenciosos convivem com explosões de energia que chegam a virar mosh. Essa troca dinâmica entre “calma” e “caos” é um dos grandes atrativos deles.

“Nos shows, esses momentos de ‘quietude’ e ‘explosão’ surgem de forma bem natural, e acho que isso tem a ver com o fato de o Balming Tiger ter membros com estilos bem diferentes entre si. Eu, por exemplo, curto uma expressão mais explosiva, enquanto os momentos solo da sogumm têm uma vibe mais sensível e tranquila. Mas, ao mesmo tempo, fora do palco eu escuto bastante música de meditação, tipo trilhas pra zazen. Então, por mais que ‘calma’ e ‘intensidade’ pareçam opostos, sinto que, no fundo, eles estão conectados de alguma forma.” (Omega)

“Na vida, a gente passa por alegria, raiva, tristeza e prazer — tudo isso faz parte. Então acho que a música também precisa ter vários gêneros e momentos pra acompanhar isso. Nos nossos shows, tem tanto aqueles momentos mais calmos e tranquilos quanto aqueles mais intensos, onde a galera se joga no mosh e esquece o estresse do dia a dia.

Liberar essa energia assim também acaba virando uma força pra viver pra quem tá ali assistindo, sabe? E a gente quer conseguir corresponder a isso também. Se o nosso show puder servir pra dar esse gás — seja pra encarar injustiças, proteger quem você ama ou simplesmente amar — já vale muito pra gente.

E claro… toda vez que o público se joga no mosh, eu fico torcendo pra ninguém se machucar (risos).” (sogumm)


O ideal que querem buscar como coletivo

O Balming Tiger tem uma formação bem única: não é só feito de vocalistas, mas também de diretor criativo, cineasta, marketer e outros, funcionando como um verdadeiro “coletivo”. E parece que os membros aprendem não só com colaborações externas, como com o Atarashii Gakko!, mas também muito uns com os outros. sogumm falou com bastante emoção sobre isso:

“Sinto que esses membros não me enxergam só pela imagem ou pelos rótulos que eu mostro, mas aceitam quem eu realmente sou por dentro. Essa sensação de segurança já me salvou várias vezes… e, por confiar nisso, meus próprios valores foram mudando aos poucos.” (sogumm)

Mudd the student, que lançou seu primeiro álbum solo em novembro de 2025, e Leesuho também refletiram sobre as próprias mudanças:

“Foi só depois de começar a atuar como Balming Tiger que senti que realmente entrei na sociedade. No começo eu só enxergava a mim mesmo, mas convivendo com membros tão diferentes, fui entendendo e aceitando essas diferenças, e percebi que isso me trazia muito mais aprendizado. Eles são amigos, mas também são tipo professores. Quanto mais você se dedica a essa relação, mais você aprende.” (Mudd the student)

“Acho que antes eu via o mundo de um jeito meio distorcido. Mas, convivendo com os membros, comecei a encarar as coisas de forma mais simples e sincera. E isso me fez enxergar muito mais coisas ao meu redor.” (Leesuho)

Por fim, quando perguntaram sobre o futuro, Omega Sapien respondeu rindo que quer continuar com o grupo “pelo maior tempo possível, até todo mundo ficar de cabelo branco”.

Ele também reconheceu que manter um coletivo com pessoas tão diferentes, em gostos, valores e até na forma de fazer música, não é nada fácil. Mesmo assim, deixou claro qual é o objetivo deles:

“Claro que a gente quer subir em palcos maiores e alcançar ainda mais o mundo. Mas, tanto quanto o futuro do Balming Tiger, o caminho de vida de cada membro também é importante. Quero, de verdade, que todo mundo seja feliz, que viva de forma rica e livre, passando por várias experiências. Porque acho que o jeito de viver e o crescimento pessoal de cada um acabam aparecendo naturalmente na música e na nossa expressão. No fim das contas, viver a vida é o mais importante.” (Omega)


bj wnjn: jaqueta ¥82.500, calça ¥30.800, camisa ¥60.500
sogumm: casaco ¥165.000, camisa ¥20.900, calça ¥39.600, lenço ¥22.000
Omega Sapien: jaqueta ¥96.800, camisa ¥20.900, calça ¥25.300
Leesuho: jaqueta ¥49.500, camisa ¥60.500, calça ¥22.000
Mudd the student: jaqueta ¥61.600, camisa ¥24.200, calça ¥36.300

por SOSHIOTSUKI(MATT.; o restante são itens pessoais do stylist

Foto: Tsukasa Kudo
Styling: SIHNSSI
Hair & Make: MAHITO
Texto: Kei Harada
Tradução: TAEHYUN JANG
Edição: Kana Endo(GQ)

Nenhum comentário:

Postar um comentário