Este artigo é de propriedade de W Korea, feita em 2 de Agosto de 2017 por Lee Chaemin, nós apenas traduzimos, sendo assim com todos os créditos dados aqui.
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No dia em que a chuva caía aos cântaros, os dois foram para um mar coberto de nuvens. O fotógrafo Kim Jung-man capturou o "agora" de Oh Hyuk, um momento que nunca mais voltará.
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| As roupas acolchoadas em camurça com enfeites de tiras esvoaçantes são todas da marca Craig Green. |
"Sentei-me frente a frente com Kim Jung-man e Oh Hyuk. O estúdio em Jeonnong-dong parecia ter sido transportado exatamente como era o Velvet Underground Studio em Cheongdam-dong; a cor e a identidade de Kim Jung-man ainda estavam intensamente impregnadas ali. As plantas tropicais que preenchiam seu espaço muito antes de virarem moda no Instagram, as linhas étnicas dos móveis pesados e desgastados pelo tempo, objetos exóticos e o cheiro onipresente de incenso e cigarro que pairava no ar.
"Fiquei curioso se o espaço de Oh Hyuk, que recentemente montou um estúdio em Yeonhui-dong, também exalaria seu próprio estilo dessa forma. 'Ainda não tem nada lá. Vou preencher aos poucos', disse ele. Em meio a uma chuva torrencial que golpeava a janela com um som agudo — o tipo de clima que encarcera as pessoas em ambientes internos —, o cenário era perfeito para conversar diante de um chá Pu-erh fumegante."
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| O músico Oh Hyuk |
"Quando trocavam olhares e gesticulavam durante a conversa, os movimentos de suas mãos atraíam o olhar para as inúmeras tatuagens que ambos possuem no corpo. Enquanto as estrelas, borboletas, dragões, frases e números do fotógrafo nascido em 54 possuem um traço realista ou fontes de aspecto sério, as tatuagens do músico nascido em 93 (como o urso panda, a palmeira, o amplificador, palavras como ‘SHY’ e ‘CHill’, mapas e o número ‘20’) parecem rabiscos leves e descontraídos.
As duas pessoas são tão diferentes quanto o estilo de suas tatuagens, e o tempo que levaram para gravá-las uma a uma também deve ser distinto. Eles se encontraram mantendo essa lacuna de, se falarmos em termos de geração, cerca de duas gerações de distância. 'Apesar de jovem, ele possui uma visão com profundidade. Senti que, com o passar do tempo, ele se tornaria um grande artista', disse Kim Jung-man.
O ensaio fotográfico de Oh Hyuk com a revista W Korea aconteceu por sugestão do próprio Kim Jung-man. Sobre o motivo de querer encontrar o Oh Hyuk que ele imaginava ao ouvir sua música, o fotógrafo explicou que queria ver o lado por trás do personagem que a TV acaba caricaturando de forma superficial. Quando um fotógrafo diz que quer encontrar um músico, essa frase é, de certa forma, sinônimo de 'querer fotografá-lo'."
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| As roupas são todas do acervo pessoal do estilista. |
A música sempre caminha junto com a fotografia, sendo registrada e lembrada através dela. Assim como Linda McCartney fotografou os Beatles e Eric Clapton, ou como Anton Corbijn capturou a essência do U2, as eras desses artistas brilham e permanecem eternamente nas fotos de uma forma diferente da que ficam nos discos. Ao redor de Kim Jung-man também passaram muitos músicos, de Jeon In-kwon a Sung Si-kyung, Kim Jong-wan e BewhY; já ao lado da banda Hyukoh, há a equipe visual 'Dadaism', que os acompanha gravando fotos e vídeos.
Ter crescido no exterior na infância é um ponto comum entre os dois. Kim Jung-man passou a juventude e estudou na África e na França, enquanto Oh Hyuk cresceu na China e voltou para a Coreia ao se tornar adulto. 'A hierarquia baseada na idade foi o que mais estranhei. Lá também existia o conceito de "mais velho" e usávamos termos como hyung (irmão mais velho), mas não era algo tão rígido quanto aqui. Também me sentia desconfortável ao cruzar frequentemente com olhares que julgavam os outros abertamente nas ruas.
'Embora o estranhamento de Oh Hyuk em relação à sociedade e cultura locais fosse nítido, ele disse não acreditar que a vida na China tenha criado uma diferença significativa em sua personalidade. Afinal, a geração que usa a internet desde cedo cresce tendo o mundo inteiro como nutriente, e não apenas um bairro. Ao conversarem sobre os álbuns do Hyukoh, que usam números como '20' e '23' para representar a idade, perguntaram a Kim Jung-man sobre seus próprios 23 anos. 'Hm? Era a época em que eu usava LSD e ia aos shows do Pink Floyd. Minha cabeça estava cheia de pensamentos sobre sexo', relembrou ele sobre seus 23 anos — idade em que foi escolhido na França como o mais jovem entre os '80 Fotógrafos de Hoje'. Ele completou dizendo que, enquanto os 23 anos de Oh Hyuk ficaram eternizados na música, os dele ficaram registrados em fotos de mulheres."
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| Todas as roupas são do acervo pessoal do estilista. |
"A conversa fluiu por um bom tempo entre a fotografia e a música. Kim Jung-man disse que é mais difícil uma foto ser boa com o passar do tempo do que parecer boa no exato momento em que é tirada; para isso, ela precisa ser livre de falsidade. Será que a boa música também é aquela que sobrevive ao tempo? Para que isso aconteça, o fluxo das paradas digitais nesta era que muda a cada hora é ofegante demais. 'Acho que o importante é uma música que você possa ouvir confortavelmente por muito tempo sem enjoar. Fazendo música na Coreia, a gente acaba vendo certas fórmulas de sucesso; o mesmo vale para a Billboard ou a Apple Music. Hoje em dia, em que até 15 ou 30 segundos de vídeo estão se tornando cansativos, sempre tenho o receio de se as pessoas vão ouvir a música quando coloco nela uma narrativa, densidade e profundidade', disse Oh Hyuk.
Parecia que o conceito do que é 'bom e duradouro' ainda exigia reflexão, mas o que soava como música 'imediatamente boa' era algo compreensível. Voltamos à fala de Kim Jung-man sobre como é necessário tempo para se tornar um bom artista. 'Aos 20 anos, todos nós achávamos que conhecíamos o mundo, não é? A imprudência e a deriva da juventude às vezes nos levam ao fim do mundo, mas há momentos em que o mundo visto de lá é belo. O artista expressa isso e compartilha com as pessoas.
A juventude sobre a qual Oh Hyuk canta não parece ter a arrogância autoconfiante dos Baby Boomers, nem o otimismo imaturo da Geração X. É hesitante, vacilante e cautelosa, mas por isso mesmo é terna e bela. Como na letra de 'Tomboy': 'Nós, jovens, nossos anéis de crescimento mal podem ser vistos; estamos cegos pela luz brilhante e nos apagando'. Kim Jung-man diz que vê Ed Sheeran em Oh Hyuk, mas alguém pode encontrar nele traços de Erlend Øye. Cada um de nós usa seus próprios valores e experiências para, da melhor forma possível, se entender mal. 'Se existe um Deus no mundo, ele não estaria em você ou em mim, mas no espaço entre nós', como diz a fala do filme Antes do Amanhecer, sem desistir de se aproximar e conhecer o outro, mesmo com um grande abismo entre si. Agora, era hora de sair sob a chuva e segurar a câmera.
Mais fotos do ensaio podem ser encontradas na edição de agosto da W Korea.
Editor: Jung Hwan-wook
Fotógrafo: KIM JUNG MAN
Modelo: Oh Hyuk
Stylist (Estilista): Kim Ye-young
Maquiagem: Kang Yoon-jin (Aura)
Fotógrafo: KIM JUNG MAN
Modelo: Oh Hyuk
Stylist (Estilista): Kim Ye-young
Maquiagem: Kang Yoon-jin (Aura)




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