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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Melon Track Zero | Artista do mês: Bongjeingan

  Este artigo pertence a Melon, feita em 05 de Setembro de 2024. Nós apenas traduzimos, sendo assim com todos os créditos dados aqui. 

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Música boa escondida — o mundo não conhece. Mas o Track Zero conhece.

Às vezes tem músicos que fazem a gente ficar curioso sobre como é o cérebro deles por dentro. Sabe aquele tipo de pessoa que você pensa: “como alguém consegue criar uma música dessas?”
Bongjeingan é uma banda bem complexa. O objetivo deles é claro, mas a forma de expressar isso é totalmente fora do comum. Justo quando eu estava me perguntando no que eles costumam pensar no dia a dia, acabei encontrando eles pelo “Track Zero”.
E aí veio uma entrevista completamente imprevisível. No meio de muitas piadas, surgiram respostas afiadas uma atrás da outra. Antes de começar, Ji-yoonhae estava comendo uma banana.


P. Rockstars costumam comer banana no dia a dia?

(Yoonhae) Ah, a entrevista já começou?

P. Pode ser que sim, pode ser que não.

(Yoonhae) Às vezes eu como antes de subir no palco. Funciona meio como um calmante.
(Hyunjae) Ele pode parecer barulhento só pelo som do instrumento, mas no palco fica super tranquilo e centrado.

P. Então vamos tocar isso de forma mais calma? Primeiro, queria saber se vocês já conheciam o “Track Zero”.

(Yoonhae) … é a primeira vez que ouço falar.

P. Bastante tranquilo, hein. Vamos ter que nos esforçar mais então. (risos)

(Yoonhae) Ué, a gente não fez alguma coisa antes?
(Manager) Fizeram… tocaram no “Track Zero Alive”, junto com o Live Club Day.
(Hyunjae) Isso, isso, isso.
(Iljun) Ah, era isso…
(Yoonhae) O manager me deixa em um lugar, eu toco… me deixa em outro, eu toco… não penso em nada. Tipo: “ah, hoje é aqui? obrigado.” (risos)
(Hyunjae) Agora ficou claro de vez.

P. Parece uma vida bem de superestrela! Pensando bem, Bongjeingan já chamou bastante atenção desde a formação da banda.

(Iljun) É, afinal a gente veio do Super Band.
(Todos) (risos)
(Yoonhae) (em voz baixa) Odeio essa palavra.
(Hyunjae) Ele falou justamente porque sabia que você ia odiar.
(Yoonhae) Enfim, a gente só faz o que dá vontade naquele momento.


P. E ultimamente, o que vocês têm vontade de fazer?

(Yoonhae) (de novo, em voz baixinha) Descansar…
(Iljun) Hã?
(Yoonhae) Não, é que a gente não faz só isso, sabe. A gente faz tudo o que quer fazer como Bongjeingan, e depois cada um vai atrás do que quer individualmente. Então somos uma equipe que usa o ano de um jeito bem eficiente.
(Hyunjae) Bem com cara dos tempos atuais, né? Essa coisa de buscar eficiência.
(Yoonhae) (hesitando) Somos multi-players.

P. Então, olhando pra trás, em porcentagem, quanto do ano vocês dedicaram ao Bongjeingan?

(Yoonhae) Acho que uns 120%.

P. Vocês prezam pela eficiência e ainda assim deram 120%?

(Yoonhae) Ah…! No fim das contas acabou parecendo que foi 120%. Foi incrível! Tô satisfeito.
(Hyunjae) Este ano com Bongjeingan foi divertido. Só o fato de fazer coisas junto com os hyungs já é legal.
(Yoonhae) Aconteceu muita coisa. Saiu álbum, lançamos single também.
(Hyunjae) Nem faz um ano que o álbum cheio saiu, né?
(Iljun) A gente viveu trabalhando pra caramba.
(Yoonhae) Então é isso mesmo, deve ter sido 120%.


P. Um ano atrás vocês eram tipo amigos que se ajudavam em shows, né?

(Yoonhae) Quando eu fazia trabalho solo, precisava de alguém pra tocar comigo. O Iljun já estava junto desde antes, e tinha também o Chunchu do Silica Gel, mas não era uma formação fixa. Aí o Hyunjae acabou entrando pra ajudar. Era meio que uma troca de favores.
(Hyunjae) Acho que teve um pequeno intervalo de tempo, mas pela minha memória… foi na época da COVID-19, né?
(Yoonhae) É, a gente chegou a tocar na frente de carros e tudo.
(Iljun) Naquela época eram shows sem contato direto, então o público ficava dentro dos carros.
(Hyunjae) Durante a COVID eu tava muito entediado. Todo mundo tava, né — sem poder fazer nada, a raiva interior ia só acumulando. Aí um dia acabamos tocando junto com o Hyodo & Bass. Fomos compondo, ensaiando, e assim nasceu o nome da banda. Pra gente, fazer show nunca foi algo tão gigantesco assim… mas naquela época, não sei por quê, parecia que aquilo era a única coisa que eu podia fazer neste mundo.
(Todos) (risos)
(Hyunjae) Acho que foi por causa da COVID. Eu sentia que, se eu quisesse que minha vida tivesse algum valor, precisava fazer isso.

P. Então desde ali vocês já eram uma banda?

(Hyunjae) Banda…? Bom, depende de como você vê — dá pra chamar de qualquer coisa. Não foi tipo “a partir de hoje somos oficialmente um casal!” (risos). Não teve esse clima.
(Yoonhae) Mas como foi o dia em que decidimos o nome e fizemos o primeiro show, dá pra dizer que ali foi o “debut”. Já tínhamos músicas, mas sem letra, então eu cantava qualquer coisa. Tipo: “ashulshul prawatwat”.
(Hyunjae) E o pessoal gostava. (risos) Na época da COVID todo mundo tava meio estranho mesmo.
(Yoonhae) Acho que a gente ficou uns seis meses fazendo show sem letra.
(Iljun) Letra pronta mesmo só tinha “12가지 말들”, né? Nem tinha música lançada ainda. Acho que o público ficava tipo: “ah~ ele tá falando alguma coisa~”.
(Hyunjae) A gente comentava muito isso: como as pessoas gostavam de qualquer coisa que a gente fizesse, pensamos “se for pra tentar algo novo, tem que ser agora”.
(Todos) (risos)


P. Antes do debut da banda, que tipo de relação vocês tinham?

(Yoonhae) Conheci o Iljun pela primeira vez em Jang Kiha and the Faces, não éramos próximos, mas naquela época eu gostava bastante dele. Sabe quando você pensa: “ah, que tipo de pessoa será que ele é? toca bateria bem demais.” Aí, quando encontrava, falava todo formal: “Iljun-ssi, você é incrível.” (risos) Hoje em dia já é “toca direito essa bateria aí.”
O Hyunjae eu conheci quando o Hyukoh tava começando, tocamos juntos em alguns shows. A gente se via de longe, tipo uma vez por ano, mas eu adorava o som da guitarra dele. Depois que passei a conhecê-lo melhor, gostei ainda mais, tanto musicalmente quanto como pessoa.

(Iljun) Eu vi o Yoonhae hyung lá por 2014. Pensei algo tipo: “hm, esse cara manda bem no baixo, hein?” A gente só foi ficar realmente próximo a partir de 2018. Quando comecei a conhecê-lo de verdade, pensei: “por que ele vive assim?” (risos) Depois que ficamos amigos, virou uma das pessoas que eu mais vejo, tirando minha mãe ou namorada, é provavelmente quem eu encontro com mais frequência.
O Hyunjae eu conheci primeiro como colega de empresa, achei que ele tinha um ar meio frio. Mas depois de ficar próximo, percebi que ele pensa bastante e tem uma imaginação bem interessante.

(Hyunjae) Eu saquei só de cruzar com eles. Pensei: esses caras mandam muito bem na música. Eu gostava demais daquela sensação meio úmida e abafada do Parasol do Yoonhae hyung. Sentia que acabaria trabalhando com eles algum dia. Achei que, juntos, sairia algo novo, que eu ia receber muita influência deles, mas também conseguir devolver isso.


P. Mas afinal, o que é uma banda pra vocês, a ponto de declarar oficialmente um time e fazer questão de estar juntos?

(Yoonhae) …Porque banda é a coisa mais divertida do mundo?

(Hyunjae) Mas a gente nunca teve aquele “valendo!” oficial, né. Só foi acontecendo assim, não foi?

(Yoonhae) É, a gente não se juntou pensando “vamos montar uma banda”.

(Hyunjae) Acho que cada banda nasce de um jeito diferente. Tem gente que quer um som com cara de banda, mas ser consumido como artista solo; tem quem procure membros pra formar uma banda desde o começo. A gente não é nenhum dos dois. A gente só faz como moleque de vinte anos. Porque gosta. Não teve muita estratégia. Dá pra montar banda chamando alguém porque toca assim, outro porque tem tal imagem… mas com a gente foi tudo bem natural.

(Manager) Acho que o fato de usarem o mesmo estúdio de ensaio também influenciou.

(Yoonhae) Verdade. Eu penso que Bongjeingan é uma escolha que, mesmo querendo, você não consegue repetir. Tem uma vibe diferente de simplesmente montar uma banda só como forma de expressão musical.

(Hyunjae) E eu acho que dessa diferença nasce uma diferença musical também. Dependendo de como você forma a banda, muda a forma de abordar os lançamentos, o conteúdo… mas a gente trata essa banda como se tivesse vinte anos. Não sabemos ainda pra onde vamos, mas é assim.

P. Fazer banda “como se tivesse vinte anos”, mais especificamente, como é isso?

(Hyunjae) É só ir em frente. Se entrar nos detalhes, claro que cada um sente de um jeito, mas pra mim é tipo: não pensar demais. Quando você faz assim, sai uma diversão diferente.


P. Vamos falar do processo musical então. Esses títulos estranhos e as letras — quem cria isso?

(Yoonhae) Sou eu. (continua rabiscando a banana.)

(Manager) O título já saiu, né? Banana.


(Yoonhae) Quase sempre é assim. Por exemplo, tem o single que a gente lançou recentemente, “Say Yes". Eu estava passeando e ouvi alguém passando dizer “sim”. Na hora pensei: isso dá pra usar. Aí fiquei sozinho falando em voz alta: “hã? sim… sim!” desse jeito.
Pessoalmente, eu gosto de histórias meio bagunçadas, então pensei: e se eu escrever “diz sim pra mim” de um jeito meio patético? E aí essa frase também começou a soar meio assustadora pra mim. Pode ser algo que força alguém, sabe? Eu sou do tipo que, quando começa a pensar, vai longe demais e não consegue concluir. Então é isso… vai surgindo assim. Isso pode virar, aquilo também pode virar, fico andando em círculos dentro da cabeça até pegar uma coisa e encaixar.

P. Parece coisa de gênio.

(Iljun) Eu falei que a gente é super band.
(Todos) (explodem de rir)
(Yoonhae) Para com issooo~



P. Talvez por serem uma super band, mas vi comentários dizendo que os singles “Know You Did” e “Say Yes” são “ssambbong-hada”. O que vocês acham que tem de tão ssambbong no Bongjeingan?

(Hyunjae) Eu sinceramente não faço ideia.

(Yoonhae) Às vezes eu não entendo muito bem as reações dos ouvintes. Tem momentos em que eles estão olhando pra um ponto totalmente diferente do meu. Por exemplo, na música “KISS”, em certo trecho o público começou a gritar em coro, e eu não consegui entender o porquê. Fiquei tipo: ah, então é aqui que dá vontade de fazer isso. Acho que eles sentiram um “ssambbong” diferente do meu, né? Eu só faço o que eu gosto, então tenho certeza de que, pra mim, isso já é “ssambbong”.

(Hyunjae) Talvez seja a falta de freio? A gente tenta tirar o máximo possível de moldes e limitações. E música é impulso — é ir no embalo.

(Yoonhae) Tipo: “aqui isso? ué, bora ver no que dá! só vai!”

(Iljun) Acho que aqui dava até pra dar mais um traço e virar “ssambbong-hada”…

(Yoonhae) Do que você tá falando agora?

※ 쌈뽕하다 (ssambbong-hada): gíria recente na Coréia que significa algo como cheio de energia, estiloso, viciante e feito com convicção.


P. Iljun, por que você acha que as pessoas gostam do Bongjeingan?

(Iljun) Hmm…
(Hyunjae) Porque você toca bateria?
(Yoonhae) Isso também conta. A bateria fez tudo.

P. Vamos dizer então que a bateria responde por 80%.

(Yoonhae) (risos) Nossa, estão dando bastante crédito, hein.
(Iljun) Receber reconhecimento assim do nada… dá até vontade de chorar. E os outros 0,1 seriam a fofura do Yoonhae hyung?
(Manager) Quem é fofo?
(Iljun) (risos) Se você ver os vídeos, tem comentários dizendo que o Yoonhae hyung é fofo. Será que é alguém próximo?
(Hyunjae) Que tal tentar ser fofo de verdade?
(Yoonhae) Tá bom, vou tentar.


P. Um dos lados “ssambbong-hada” do Bongjeingan é a variação. As músicas mudam bastante dentro da própria estrutura.

(Hyunjae) Do jeito que eu vejo, o método que é mais natural pra gente é simplesmente fazer. A gente se junta na sala de ensaio, um ou dois começam a fazer barulho, e o resto vai entrando. A partir daí, a gente pega essas ideias, vai acrescentando camadas aos poucos, se trava deixa descansar, começa outra coisa. E quando aparece algo legal, às vezes a gente destaca um pedaço de um trabalho antigo e encaixa em outro.

(Yoonhae) Por exemplo, no psicodélico dos anos 60–70 tem muito arranjo meio “piuim”, sabe? Eu pessoalmente fui bem influenciado por isso. Hoje em dia, se você escuta música atual, tem muita transição também. Pode ser algo super calculado, mas com a gente é diferente. Quando empaca, em vez de ficar quebrando a cabeça, é mais tipo: “ué, se eu colar qualquer coisa aqui, vira alguma coisa, né?” E fica divertido. A gente vai no fluxo da consciência. Claro que a gente também pensa nas coisas.

(Hyunjae) Pelo menos um pouco.

(Yoonhae) A gente usa memo de voz, escuta depois e decide se presta ou não.

(Hyunjae) Tem muita coisa, mais do que parece. Porque quem escuta pode nem ligar pra certos detalhes, mas entre nós vai surgindo um critério. Tipo: isso não parece muito com aquilo? não lembra algo que já fizemos? Aí a gente descarta.

P. Dá pra dar um exemplo?

(Yoonhae) “GOOD” mudou pra caramba.

(Hyunjae) Tinha uns dez minutos, né?

(Iljun) Não era uns sete?

(Yoonhae) Não, no começo não.

(Hyunjae) Era tipo quatro ou cinco minutos só instrumental, aí entrava o vocal.

(Yoonhae) Não sei se dá pra chamar de psicodélico ou o quê, mas se a parte inicial ficava longa demais, de repente virava techno lá na frente… e olha que a versão inicial de “GOOD”, a versão gravada e a versão ao vivo são todas diferentes.

(Manager) Tinha tanta variação que eu ficava pensando se eles não iam se perder tocando ao vivo.

(Yoonhae) Todo mundo pergunta isso, mas é simples. A música do Bongjeingan agora é tipo um menu degustação. Tem entrada, depois vem isso, depois vem aquilo…

(Todos) Oooh~

(Yoonhae) … pô, isso soou chique agora, né? Por que você tá segurando o riso? Menu degustação não foi estiloso?

(Hyunjae) Mas também tem isso: a gente não faz variação pra ficar cutucando o ouvinte tipo “legal, né? legal, né? tá legal, né?”



P. Eu cheguei a pensar que isso fosse intencional. Pra mim parecia uma música bem planejada, tipo: “a gente não vai direto do A pro B.”

(Hyunjae) Pode até existir uma intenção. Mas não é com a postura de “legal, né? legal, né? tá legal, né?”. A gente não chega num trecho pensando “aqui tem que sair algo interessante”. A gente só busca o que parece natural pra nós.

(Iljun) No começo, pra mim foi meio estranho. Fiquei pensando: isso tá certo mesmo? Mas aí todo mundo curtia. (risos)



P. Falando como público, às vezes parece que a gente tá jogando um jogo de leitura de intenções com o Bongjeingan. Você acha que já decorou a música, mas quando vê o show acaba perdendo o timing de dançar. Vocês nunca se preocuparam que isso pudesse ser difícil pros ouvintes?

(Hyunjae) Desculpa, mas eu nunca considerei isso nem uma vez. A coisa mais importante, e que a gente não pode perder, é que nós precisamos nos divertir. Só assim a nossa energia continua. Se o público consegue aproveitar isso junto, já fico muito agradecido.

(Yoonhae) Em show, principalmente, o tempo e a estrutura são diferentes da versão gravada. A gente é… ah, deixa pra lá.

(Iljun) Por quê?

(Yoonhae) Sei lá, acho meio estranho ficar explicando como é a nossa música. Preferia que as pessoas só assistissem como se estivessem vendo um filme.

(Hyunjae) Se eu não estivesse no papel de criador, acho que nossas músicas pareceriam difíceis pra mim também. Mas como sou quem faz, tem coisas que ficam fáceis. Outro dia vi um vídeo que falava sobre isso: a diferença entre saber a receita e entender a essência. As pessoas que fazem Bongjeingan compartilham um objetivo, entendem isso, então tudo acontece naturalmente. É diferente de alguém de fora pegar a receita e analisar pedaço por pedaço.

(Yoonhae) Em vez de super band, somos chef band. (continua mexendo na banana)



P. Quanto vocês costumam ensaiar pro ao vivo?

(Iljun) Posso falar? É segredo…

(Yoonhae) O quê?

(Iljun) Nada, só falei por falar. (risos)

(Hyunjae) A gente ensaia, claro. Mas às vezes sinto que só ensaiar não é necessariamente a resposta certa. É tipo… energia, sabe? Tem momentos em que, jogando a gente numa situação aleatória, as coisas fluem melhor. Se a tensão tá no ponto certo, às vezes a gente até fala: “melhor não ensaiar agora”. Quando tá quentinho, a gente só continua.

(Yoonhae) Isso, era exatamente isso que eu queria dizer.

(Hyunjae) Tipo aquecer um amplificador valvulado. Quando já tá quente, às vezes é melhor não mexer. Se ensaiar demais, dá uma drenada na energia. Claro, tem bandas que precisam disso — tipo aquelas que têm que funcionar como um corpo só.

(Yoonhae) Às vezes a gente só fica batendo papo pra entrar em sintonia. Isso também é ensaio pra gente.

(Iljun) Recentemente, preparando o show do Japão, a gente se encontrou e já foi direto ensaiar — e parecia que não tava funcionando. O corpo não acompanhava. Mas depois de conversar besteira por duas ou três horas, de repente tudo começou a encaixar.

(Hyunjae) Nem sei como explicar isso direito. Quando o coração começa a se juntar tchac-tchac-tchac(faz gesto de juntar energia no peito) quando entra nesse estado, às vezes tudo passa a dar certo.

(Todos) (caem na gargalhada)

(Yoonhae) Parece errado, mas não é errado. Vocês entendem, né? Vocês deviam ver nossos ensaios mais do que nossos shows. Mas ninguém vai poder ver.

(Hyunjae) Eu fiquei pensando nisso: como mostrar isso pras pessoas. Queria que elas pudessem experimentar nossos ensaios. Tipo, entrar quando a gente tá totalmente concentrado. Hoje em dia tem essas coisas, né? Criar nossa sala de ensaio num espaço virtual. Em VR. Você teria um avatar, e conforme chega perto do amplificador, o som fica mais alto.

(Yoonhae) O mundo tá mesmo…

(Hyunjae) Tem umas pequenas diversões do Bongjeingan aí dentro. Nesse processo.

(Iljun) Isso também é segredo comercial, mas… (e a conversa acaba indo pra outro lado.)



P. Dá a impressão de ser música de MBTI “N”. Pensamento amplo, bem livre. Vocês são assim na vida real também?

(Todos) Somos N.


P. Fora música, sobre o que vocês costumam conversar?

(Hyunjae) Sobre coisas negativas.

(Todos) (risos)

(Hyunjae) Já falei isso em outra entrevista, mas a gente não se juntou porque gostava das mesmas coisas — a gente se juntou porque odiava as mesmas coisas. Relacionamento é assim, né? Tem grupos que se formam pelo que admiram em comum, e outros porque têm aversão às mesmas coisas. Tipo: “cara, eu odeio isso.”

(Yoonhae) Acaba virando muito papo sobre música, mas a verdade é que a gente conversa pra caramba.

(Iljun) Papo é importante.

(Yoonhae) Já teve dia da gente se encontrar e nem tocar. Só ficar umas cinco horas ouvindo música e conversando.

(Iljun) Aí depois de três horas alguém fala “tá, eu tenho que ir” e simplesmente vai embora.

(Yoonhae) Ficamos tipo: “essa música não é ruim pra caramba?” É totalmente conversa de gosto pessoal.


P. E sobre a cena de bandas na Coreia, que tipo de visão vocês têm?

(Hyunjae) Hm… sinto que tem gente que pega especialmente pesado com bandas. Ficam dizendo “banda tem que ser assim”, “tem que ser assado”. Pra mim, banda é um recipiente que cabe de tudo, mas na Coreia parece existir uma imagem meio fixa. Tipo: do 1 ao 100 tem que ser tudo tocado ao vivo, tem gente que odeia usar MTR… coisas que lá fora não são problema. As bandas estão cada vez mais presas à forma, enquanto começar a fazer música ficou mais fácil — mas quem consome ainda lembra das bandas do passado por inércia. Claro que eu acho que sempre existe um descompasso de tempo entre quem cria e quem escuta.

(Yoonhae) Mesmo dentro da mesma banda as opiniões são diferentes. Eu também não curto quando tem MTR demais ao vivo.

(Hyunjae) Até dentro da banda, cada um enxerga a situação de um jeito. Eu penso que, se o som fica mais claro, é uma ferramenta totalmente válida. Tem gente que quer sentir a performance ao vivo em tempo real, mas também tem quem queira ouvir exatamente como no áudio gravado. Acho que depende do que o artista sempre entregou pros fãs, e de como entregou. Se desde o começo a música já exigia MTR, e os shows sempre foram assim, isso vira algo natural.

MTR: Multi Track Recorder, usado em shows como base sonora ou playback.


P. Todo mundo anda dizendo que chegou um “boom das bandas”. Será que chegou mesmo?

(Yoonhae) Pois é… isso já vem sendo falado desde o ano passado, né. Tendências são cíclicas. Teve a fase do hip-hop, depois veio o trot… E na Coreia parece que as modas vêm com tudo e somem rápido, então agora, pensando bem, esse papo de “boom das bandas” chega a ser engraçado. A gente só continua fazendo o que sempre fez — como todo mundo — e de repente vira “boom das bandas”? Talvez tenha sido só uma onda. Veio, passou batendo e vai embora.

(Hyunjae) Eu fico curioso. Será que depende da faixa etária? Quem é que acha que esse boom realmente chegou? Pra mim, parece algo que tá sendo empurrado mais pelo lado comercial. Não sinto que tenha vindo de dentro da cena. Às vezes dá até a impressão de que tem alguém espalhando isso com um megafone. Fico pensando se existe mesmo um público que sente esse boom — se são adolescentes, ou se é uma sensação pós-hip-hop. Parece uma mistura de realidade com fantasia. E se um boom tivesse mesmo chegado, teria que existir um astro que todo mundo conhece — mas não parece ser o caso. Com as redes sociais ficando mais fortes, os gostos também ficaram mais fragmentados… enfim, não chego a uma conclusão.

(Yoonhae) É tipo comida coreana. Todo mundo gosta de kimchi jjigae, né? Mas banda é mais como dizer: “ei, salada de talo de alga é gostosa.”

(Iljun) …ovo frito.

(Yoonhae) Antes era só acompanhamento, e agora tem gente gritando “é a era do talo de alga!”. Aí quem sempre gostou de kimchi jjigae começa a pensar: será que eu provo também?

(Hyunjae) Se você olha pra forma como a cultura é consumida, a Coreia é muito influenciada pelo mundo anglo-americano. Mas nem lá existem mais popstars como antigamente. Então acho que a própria era mudou. O meu padrão de “boom” vem de um tempo sem redes sociais — talvez o critério tenha mudado.

(Yoonhae) Concordo. O padrão de boom mudou, então, pros dias de hoje, talvez isso já conte como boom.

(Hyunjae) Então… deve ter chegado, né? Até agora eu achava que não sabia, mas pensando bem, talvez tenha chegado sim.

(Yoonhae) Chegou, mas vai sumir de novo.

(Hyunjae) Com certeza tudo muda mais rápido agora. Antes, a vibração de um boom parecia muito maior; hoje é como uma oscilação mais curta, mais acelerada.

(Yoonhae) Se boom é explosão… será que chegou a explodir? (risos) Talvez só estejamos vendo mais o formato “banda”, mas se isso é realmente um boom, já é outra história.

P. Tomara que vire um boom que todo mundo reconheça. E o show no Japão? Fuji Rock e tudo mais, virou boom?

(Iljun) Foi curto demais, isso que é triste. Se tivéssemos conseguido curtir juntos teria sido melhor, mas por causa das distâncias não deu tempo.

(Yoonhae) Mas quem assistiu com certeza curtiu. Teve gente que passou por acaso, mas também tinha muita gente esperando especificamente pelo nosso show.

(Iljun) Mesmo sem falar a mesma língua, dava pra sentir que gostaram.

(Hyunjae) E eu pensei: precisamos ir pra palcos maiores! Esse tamanho não dá conta da gente.

(Iljun) Não cabe a gente ali.

(Hyunjae) Eu quis me misturar mais com a cena local, e também acabei pensando bastante sobre a direção do Bongjeingan. Quero enfrentar várias situações diferentes daqui pra frente, viver mais experiências.



P. Até onde vocês querem ir como Bongjeingan?

(Hyunjae) Pra onde tiver demanda, a gente vai. Estamos bem abertos — e desde o começo nunca fomos um time que se move seguindo um plano super definido. Então espero que os próximos passos tragam coisas novas. O que tem de interessante dentro da música do Bongjeingan? Quero ouvir o feedback de pessoas que nem falam a nossa língua.

P. Última pergunta. Depois dessa conversa, que tipo de banda é o Bongjeingan?

(Yoonhae) A gente sempre fala isso entre nós: music therapy. A gente se cura mutuamente. Conversando assim, dá pra ver que não é só música — não é só “fazer banda”. Eu acho que somos um time realmente bom. Até olhando de fora, um bom “time”. É meio estranho, na real. Não somos família, nem casal. Mas… não é isso que é uma banda?

(Iljun) Pra começar, acho que o nome da equipe foi bem escolhido.

(Hyunjae) Essa agora foi boa — deu uma sensação de energia se juntando.
(faz gesto de juntar uma Genki Dama no peito)

(todos) (caem na gargalhada)

(Hyunjae) Concordo com o que o Yoonhae hyung disse. Quero registrar musicalmente os vários momentos que a gente vive. Nesse time, a forma humana é mais importante. Esse é o ponto divertido. Vou continuar pensando em como transformar essas experiências pessoais em algo que possa ser ouvido pelas pessoas.


Autorretrato (suposto): disseram que não são os rostos dos membros, mas, de qualquer forma, são três.


(Entrevista / organização: Byeon Goeun, editora especializada)